Lembranças Passadas





 Esses dias me bateu uma vontade de te ver. De me ver em você. Pensei se deveria te ligar, marcar um encontro, te mandar um recado. Mas, só pensei. Pra variar, não agi. Faltou coragem, mesmo sobrando saudade. A gente não precisaria conversar, já que nem assunto mais temos, num passado já contei tudo que eu sabia para você e vice-versa, mas ainda sim poderíamos ficar ali em silêncio, um a olhar o outro. Mesmo que fosse estranho trocar tudo bem com quem já se trocou beijos. Mesmo que fosse estranho manter distância de quem a gente já teve tão perto. Mas mataria a minha saudade. Mataria alguns monstros que me habitam também desde que você se foi; Monstros esses que atendem por: insegurança, falta, lágrimas.
        Não é sempre, mas ainda me lembro de nós dois. De tudo que dissemos um ao outro, e de tudo que deixamos de dizer. E fico ainda pensando, se daríamos certo novamente. Talvez agora não durássemos uma semana, talvez durássemos pra sempre. Fico procurando erros, mexendo em coisas que deveriam ficarem lá. No passado. Entender o passado, talvez seja o melhor modo de não errar no futuro, novamente. Mas, isso não deveria doer tanto. Então, vez ou outra me pego pensando em você. Lembro do seu cheiro, da sua voz, do seu toque. Do modo como me fazia feliz. E fico desejando toda essa felicidade de novo, desejando tudo de novo. E fico pensando se você também sente minha falta, ou se vez ou outra, me quer de volta. E se assim como eu, não telefona, não pergunta. Saudade é não saber notícias de quem se ama. Ou no caso de quem se amou. Então vez ou outra te transformo em literatura, porque dizem que só se esquece alguém se o transformar em personagem na sua vida. Não por ser perfeito, mas por não ser real. E então vez ou outra, escrevo mais uns textos sobre você. Na tentativa frustrada, que a gente tem nessa vida, de deixar o que foi nosso pra sempre, ir embora de vez.